Estava eu, indo tomar café, como sempre faço, na padaria perto do MC Donalds da Avenida Higienópolis de Londrina, no caminho havia um cara, que devia ter seus 30 anos não conservados, ele estava sentado na calçada com a mão estendida para todos que passavam, suas roupas estavam mais sujas do que as minhas quando resolvo dar uma de aventureira e vou passar o final de semana no sítio dos meus avôs.
Tinha uns trocados no bolso e pensei que não seria prejuízo entregar para aquele pobre coitado, foi quando eu vi do outro lado da rua uma placa com os seguintes dizeres “não dê esmola, dê oportunidade”, devo dizer que essa frase me pegou em cheio, me senti quase uma criminosa só de ter pensado em entregar minhas moedinhas para aquela pessoa.
Tinha uns trocados no bolso e pensei que não seria prejuízo entregar para aquele pobre coitado, foi quando eu vi do outro lado da rua uma placa com os seguintes dizeres “não dê esmola, dê oportunidade”, devo dizer que essa frase me pegou em cheio, me senti quase uma criminosa só de ter pensado em entregar minhas moedinhas para aquela pessoa.
Foi aí que comecei a pensar como poderia dar uma oportunidade a ele ao invés da esmola. Pensei em pegar seu número, para quando eu abrisse meu próprio negócio contratá-lo, mas percebi que talvez ele não tivesse um número e do jeito que as coisas andam vai demorar um bom tempo até eu conseguir montar esse negócio, na verdade nem decidi ainda o que quero abrir, só pensei que seria legal não ter que acordar às 6h da manhã todos os dias.
Mas mesmo assim, não queria ser uma cidadã que não se importa com os problemas sociais do meu país, queria realmente ajudar aquele ser. Minha outra idéia foi tirá-lo de lá para que pudesse ensiná-lo um pouco de história e sociologia e explicar o porquê da nossa sociedade ter chegado até aqui e porquê ele ficou a margem e excluído, dessa maneira ele poderia se revoltar e tentar mudar alguma coisa, mas pensei que para isso ele precisaria ter sido alfabetizado primeiro. Não me condenem pelas minhas soluções grandiosas, não tenho como controlar pensamentos impulsivos.
Mas o meu dilema continuou, pensei em levá-lo até meu tio, Dr.Alberto, advogado competentíssimo, assim meu tio poderia fazer seu discurso, falando que todos podem superar as dificuldades, é só não ser vagabundo e trabalhar, que nascer pobre não significa que a pessoa tem que virar bandido ou desocupado, que o esforço leva a dignidade, enfim, você deve ter alguém assim parecido na família, mas aí imaginei que meu tio não iria querer conversar com uma pessoa daquela.
Minhas opções estavam acabando, e o quarteirão que nos separava também, mas eu realmente estava disposta a encontrar um jeito. Lembrei que do lado de casa tem uma ONG que ensina artesanato, eu poderia levá-lo até lá, assim ele aprenderia uma atividade e quem sabe poderia viver disso ou então poderia comprar-lhe um violão para que ele pudesse se apresentar, assim não caracterizaria esmola os trocados ganhos, mas não tenho dinheiro para comprar um violão e também lá na ONG só aceitam mulheres por enquanto e o dinheiro que elas ganham não deve ser muito mais que ele arrecada. Tem outra ONG que eu conheço também, que profissionaliza jovens para trabalhar como operários em algumas fábricas, mas acho que ele já passou da idade, não teve sorte de alguém tê-lo ajudá-lo quando ainda era criança ou adolescente, se tivesse uma ONG dessa naquela época, hoje ele poderia ser um grande montador de qualquer coisa ou manuseador de alguma máquina, enfim, alguma coisa que pudesse ser dito como trabalho.
Com minha criatividade acabando, percebi que naquele momento não poderia fazer muita coisa por aquele ser humano, resolvi dar minhas moedinhas para não deixar o pobre maltrapilho sem comer.
Passei por ele já com as moedas na minha mão, não queria abrir minha carteira na frente dele, sabe como é né? Entreguei-as a ele e ouvi um “Deus lhe pague” de agradecimento, achei muito gentil da parte dele, mas meio clichê já essa frase, mesmo assim dizem que Deus dá em dobro o que se doa, talvez eu receba uns três reais de alguém essa semana.
Contei o que aconteceu pro seu Edson, dono da padaria, e uns conhecidos que também estavam lá, eles disseram que certeza que o homem gastou meu dinheiro em bebida, mas fiquei tranqüila, eu gasto boa parte do meu salário saindo com amigos e bebendo e aposto que eles também, por que o homem não podia ter um pouco de diversão?
Voltando pra casa passei por ele novamente, e o dilema de como ajudá-lo voltou, percebi que o problema talvez não estivesse só entre eu e ele, talvez tivesse algo mais naquilo tudo, não sei, talvez fosse a placa.
Passei por ele já com as moedas na minha mão, não queria abrir minha carteira na frente dele, sabe como é né? Entreguei-as a ele e ouvi um “Deus lhe pague” de agradecimento, achei muito gentil da parte dele, mas meio clichê já essa frase, mesmo assim dizem que Deus dá em dobro o que se doa, talvez eu receba uns três reais de alguém essa semana.
Contei o que aconteceu pro seu Edson, dono da padaria, e uns conhecidos que também estavam lá, eles disseram que certeza que o homem gastou meu dinheiro em bebida, mas fiquei tranqüila, eu gasto boa parte do meu salário saindo com amigos e bebendo e aposto que eles também, por que o homem não podia ter um pouco de diversão?
Voltando pra casa passei por ele novamente, e o dilema de como ajudá-lo voltou, percebi que o problema talvez não estivesse só entre eu e ele, talvez tivesse algo mais naquilo tudo, não sei, talvez fosse a placa.

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